domingo, 31 de março de 2013

MP pode pedir paralisação das obras do porto



Perdas: Agricultores registram prejuízos nas lavouras com salinização do subsolo e do canal que corta região

Tatiana Freire

O Ministério Público Estadual (MPE), através da 1ª Promotoria de Tutela Coletiva de Campos, estuda o ajuizamento de uma ação civil pública contra a OSX, com objetivo de paralisar as obras do Porto do Açu até que o problema da salinização do subsolo e do canal Quitingute, constatado em novembro do ano passado, seja solucionado. A definição sobre a ação sairá em 30 dias.


Segundo o promotor Leandro Manhães, em fevereiro deste ano a empresa foi notificada para apresentar esclarecimentos sobre o ocorrido e as medidas tomadas para resolver o problema, e ainda sobre o interesse na realização de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

Ainda segundo o MPE, a empresa apresentou um relatório, mas se negou a celebrar o TAC. Caso o documento fosse assinado, a OSX teria que se submeter às determinações do Ministério Público.

Na última sexta-feira, 22, o promotor visitou a Vila da Terra, área construída pela LLX em parceria com a prefeitura de São João da Barra para abrigar as famílias que tiveram os imóveis desapropriados pelo governo do Estado. Na ocasião, ele destacou que “as visitas e informações colhidas dos moradores são importantes para confirmar ou não, as notícias que rotineiramente chegam ao Ministério Público”.


Salinização 

Pesquisas realizadas pela Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) na localidade de Mato Escuro apontaram que a água encanada fornecida pelo governo municipal à população apresenta salinidade entre cinco e sete vezes superior à do rio Paraíba do Sul.

Em 1º de fevereiro a OSX, do grupo EBX, do empresário Eike Batista foi multada pelo governo do Estado em R$ 1,3 milhão por provocar a salinização de água doce de canais e lagoas da região, em função das obras do Superporto do Açu. A empresa ainda recebeu a determinação de investir mais R$ 3 milhões em obras de dragagem e florestamento, além do pagamento de R$ 350 mil anuais para a manutenção, até que os problemas sejam resolvidos.

Empresas declaram que nenhum agricultor foi prejudicado

Através de nota, a LLX e a OSX informaram que até o momento não foi identificado nenhum agricultor prejudicado em São João da Barra. As empresas também apontaram que a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) constatou, através de análises, que as águas do 5º distrito encontram-se dentro dos padrões de normalidade tanto para fins de irrigação quanto para consumo animal. “A UFRRJ, que monitora a região desde 2007, também confirmou que não há impacto no setor agrícola da região. Vale lembrar que, conforme informado pela CEDAE, não houve impacto na água distribuída para consumo humano”, complementou a nota.

Sobre o TAC, a OSX justificou ter reiterado ao INEA a sua disponibilidade para a celebração do correspondente Termo de Compromisso Ambiental, quando apresentou sua impugnação ao auto de infração correspondente. “As empresas reforçam que estão abertas ao diálogo com os agricultores e à disposição para prestar mais informações”.


sábado, 30 de março de 2013

Bombeiros encontram corpos de três dos seis desaparecidos em porto no Amapá

Dois dos corpos foram encontrados a seis quilômetros de acidente no Rio Amazonas

Desmoronamento de terra no porto da mineradora Anglo American, em Santana, no Amapá, deixou seis funcionários desaparecidos (Odenilson Silva/Futura Press)

Equipes do Corpo de Bombeiros do Amapá encontraram na manhã deste sábado os corpos de três dos seis trabalhadores que haviam desaparecido no Rio Amazonas após o desmoronamento de um barranco no porto da mineradora Anglo American em Santana, a 20 quilômetros de Macapá, na última quinta-feira.

Dois dos corpos foram encontrados no Rio Amazonas a seis quilômetros do porto, sendo que a outra vítima foi achada próxima ao local do acidente. Enquanto os bombeiros dão continuidade aos trabalhos de resgate, outros três trabalhadores seguem desaparecidos.

Segundo a multinacional, parte do terreno situado às margens do Rio Amazonas desmoronou e levou toda estrutura do porto, incluindo caminhões, contêineres, guindastes e outros equipamentos. A área destruída foi estimada em 16.100 metros quadrados.

Embora esse deslizamento inicialmente tenha sido atribuído a uma onda gigante que teria passado pelo Rio Amazonas, as autoridades locais esclareceram que as causas do acidente ainda são investigadas, tendo em vista que a onda citada, que comprometeu outras embarcações em Santana, poderia ter sido provocada pelo próprio desabamento do porto.

Os trabalhos de resgate, iniciados na madrugada de quinta-feira, foram reiniciados nas primeiras horas deste sábado com o auxilio de mergulhadores e de diferentes embarcações da Marinha e dos bombeiros.

Em comunicado, a mineradora Anglo American informou que continua colaborando no resgate dos outros três corpos e no apoio aos familiares das vítimas e dos desaparecidos.

O coronel Ademar Rodrigues dos Anjos, oficial do Corpo de Bombeiros que comanda as buscas, afirmou que a identificação das vítimas não será difícil porque os corpos encontrados estão relativamente preservados.

(Com agência EFE)

sexta-feira, 29 de março de 2013

Do Planície Lamacenta: Porto de Açu e as quadrilhas corporativas.


Que a mídia corporativa use dois pesos duas medidas já sabemos. Que a Justiça esteja à serviço dos poderosos, idem.

Mas eu não sei onde o pessoal da associação que defende os proprietários do Açu (5º Distrito) estão com a cabeça. 

Talvez tanta violência a que estejam expostos sirva também a isto: turbar o pensamento, a reflexão, o raciocínio. 

Mas este sentimento não pode se espalhar aos defensores e advogados do grupo gaulês que resiste contra o Império.

Ora, se foram cometidos abusos (CRIMES) durante a truculenta ação de remoção (ou tentativa) de moradores, se havia homens armados, e se há uma ação estável ou não, ma hierarquizada, com tarefas definidas e por último, com atos que ultrapassem territórios (começam lá na capital, ou no exterior, e chegam em SJB), estamos diante da modalidade delitiva de quadrilha ou bando, com processamento previsto pela lei que trata de grupos organizados ( ver Lei 12.694, em seu artigo 2º).


Teríamos, a priori, pelo que li no material do blog do Pedlowski: 

Coação no curso do processo (artigo 344 do Código Penal), esbulho possessório (artigo 161, § 1º, "II" e § 2º) e abuso de autoridade (lei 4898, artigos 3º, "a" e 4º , "h").


Houve abusos? Existiu uma "cadeia de comando" que determinou a prática de tais condutas censuradas em lei? 

É isto que deve apurar a polícia. Mas os fatos DEVEM se comunicados!


Ué, vão esperar a empresa e seus comparsas na mídia criminalizarem as vítimas? Ou acreditaremos que os que estavam ali, estavam por inciativa e interesses próprios?

Desapropriações no Porto do Açu afrontam a Constituição do Rio de Janeiro




Após ler novamente a matéria produzida pelo Portal OZK News (Aqui!), encontrei evidências de flagrantes violações dos direitos da família encabeçada pela senhora Georgina da Silva, mãe do Sr. Pinduca que é uma das lideranças genuínas que surgiram na luta contra as desapropriações que estão sendo perpetradas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN).

Vejamos novamente a declaração do defensor público Ricardo de Castro:


A desapropriação estava tramitando judicialmente desde 2011. Há uma rede de transmissão de energia elétrica que passará, obrigatoriamente, neste local. Mas vou tentar mudar a data da desapropriação”, finalizou Ricardo.

Como assim? A desapropriação está tramitando desde 2011 e até hoje nem a CODIN nem a multinacional AMPLA se deram ao trabalho de ler o que diz o Artigo 265 da Constituição Estadual? Se ninguém da CODIN ou da AMPLA leu esse artigo, o que mais me espanta é que o juiz (ou juíza) que concedeu a imissão de posse tampouco parece ter lido o que diz o referido artigo. Então vamos ao Artigo 265 da Constituição Estadual:


"Art. 265 - Os projetos governamentais da administração direta ou indireta, que exijam a remoção involuntária de contingente da população, deverão cumprir, dentre outras, as seguintes exigências:


I - pagamento prévio e em dinheiro de indenização pela desapropriação, bem como dos custos de mudança e reinstalação, inclusive, neste caso, para os não-proprietários, nas áreas vizinhas às do projeto, de residências, atividades produtivas e equipamentos sociais.

II - implantação, anterior à remoção, de programas sócio-econômicos que permitam às populações atingidas restabelecerem seu sistema produtivo garantindo sua qualidade de vida;"

Não bastasse o desrespeito à Constituição Estadual, vejamos o que declarou um dos filhos da "desapropriada", Valdeci da Silva ao jornalista do PORTAL OZKNews que cobria a tentativa de expulsão de sua mãe:

Eles não apresentaram nenhum mandado, chegaram aqui e disseram que se a gente não saísse da casa, a polícia iria prender todo mundo”.

Como assim, não apresentaram nenhum mandado? Isso numa ação que transcorre desde 2011 e que supostamente deu base legal para a tentativa de remoção dessa família? Se observarmos novamente o que diz o Artigo 265, o oficial de justiça que foi lá sem mandado só precisaria apresentar o comprovante do pagamento prévio da desapropriação e do custos de mudança de reinstalação em local que já deveriam disponibilizados para que a família da senhora Georgina da silva possa restabelecer seus sistemas produtivos, de forma a garantir a qualidade de vida de que dispõe neste exato momento.

Mas é evidente que os que foram até Água Preta para expulsar a senhora Georgina da Silva de sua terra sem os instrumentos que estão previstos no artigo 265 da Constituição Estadual sabiam que estavam em falta, tanto é que levaram um contingente policial que seguidas as normas constitucionais nem precisariam estar ali.

Agora o que realmente me indigna é que tudo isso tenha acontecido e não tenha havido nenhuma manifestação da Ordem dos Advogados do Brasil e do Ministério Público (Federal ou Estadual). 

A questão que se coloca é a seguinte: está prevista uma nova tentativa de remoção inconstitucional da família da senhora Georgina para o dia 04 de Abril. Ninguém vai fazer nada para proteger os direitos constitucionais dessa família de trabalhadores? A lei só vale para proteger os interesses da CODIN e das corporações que estão associadas a ela na implantação do Complexo Industrial-Portuário do Açu?

quinta-feira, 28 de março de 2013

Agricultores do Açu resistem contra as desapropriações causadas pelo Porto "X"

De nada adianta blog corporativo para limpar a barra ou a contratação de campanhas de propaganda na mídia empresarial se no cotidiano o que acontece é a mais pura forma de desrespeito aos direitos dos que habitam há muitas gerações as terras do V Distrito de São João da Barra.


Quer ver como funcionam as desapropriações feitas pela CODIN? Quer ter noção de como os agricultores e pescadores do Açu estão tendo que enfrentar forças desproporcionais para poderem ficar em suas terras? Quer ver como a Constituição Estadual está sendo desrespeitada? 

É só assistir o vídeo abaixo! E depois que souber a resposta, ajude a difundir a verdadeira face do processo de expulsões sumárias que está acontecendo no Açu para beneficiar o porto de Eike Batista.





quarta-feira, 27 de março de 2013

Resistência da comunidade impede desapropriação em Água Preta



Acaba de me chegar a informação de que após horas de enfrentamento entre dezenas de moradores do Açu e um contingente formado por uma estranha amalgama que juntava policiais militares, seguranças privados da LL(X) e funcionários da CODIN, não foi levada a termo a expulsão da família que estava marcada para perder sua propriedade na localidade Água Preta. 

Neste processo de resistência pacífica teriam sido usados todos os tipos de estratégias de intimidação contra os que defendiam o direito da permanência de uma senhora idosa e vários de seus familiares numa propriedade em que vivem há pelo cinco décadas. Uma das estratégias detectadas foi o bloqueio dos sinais de telefonia celular, o que deixou a área sob um verdadeiro "black out" telefônico.

É importante que essa é uma vitória muito parcial, visto que a repetição dessa ação é mais do que provável. Assim, aqueles que querem prestar sua solidariedade às famílias ameaçadas por essa e outras expulsões sumárias deverão procurar a direção da ASPRIM para se juntar a este justo processo de resistência.

O que espera é que, no mínimo, se cumpra o que determina o Artigo 265 da Constituição Estadual do Rio de Janeiro que deixa bem claro as condições que devem ser cumpridas para que haja o chamado processo de desapropriação de interesse público. Qualquer coisa diferente do que determina a Constituição é esbulho possessório! 

Todo apoio à luta das famílias de agricultores e agricultoras do Açu!

Blog do Prof. Roberto Moraes informa: Desapropriação em Água Preta para passagem de linha de transmissão do Corredor Logístico do Açu


O blog foi informado que um grande aparato policial junto com tratores para demolir construções está desde o início da manhã, em Água Preta, no V Distrito de SJB, visando tombar a casa que se situa no "caminho" traçado para a linha de transmissão (LT) da Ampla, que faz parte do Corredor Logístico para atender o Complexo do Açu.


A desconfiança é de que outros moradias que ficariam no percurso desta L.T. também seriam derrubadas. A primeira casa que estão querendo derrubar à força é da matriarca da. Jorgina, mãe de seu Pinduca, que resisti à sair de suas terras e questiona a invasão por parte de um complexo industrial numa área que para ele é agrícola e rural.

A desapropriação estaria se escudando no decreto do governo estadual desapropriando áreas para instalação do Corredor Logístico, e não em negociação e pagamento de indenização como é comum em casos de linhas de transmissão, havendo ainda possibilidade, como seria o caso, do projeto das linhas de transmissão contornarem (passarem ao lado de residências).

Porto do Açu: mais um dia de desapropriações humilhantes e violentas




Nem a chuva que cai hoje na região de Campos e São João da Barra arrefeceu o ímpeto expropriador que desmantela comunidades inteiras no V Distrito. Hoje um grupo de policiais está mobilizado para desalojar uma senhora idosa que teve o azar de ter sua propriedade colocada no caminho do famigerado corredor logístico do Porto do Açu.

O peculiar nisso é que o agente interessado na desapropriação é a multinacional AMPLA que não se ateve a pagar o direito de passagem, e se utilizou do Decreto 42.675/2009 para pedir, e conseguir na justiça, a posse das terras de uma família humilde que ali vive há gerações.

O mais interessante, ou seria o mais ultrajante?, é que tampouco aqui estão sendo obedecidos os critérios estabelecidos no Artigo 265 da Constituição Estadual do Rio de Janeiro, como mostrado abaixo:

I - pagamento prévio e em dinheiro de indenização pela desapropriação, bem como dos custos de mudança e reinstalação, inclusive, neste caso, para os não-proprietários, nas áreas vizinhas às do projeto, de residências, atividades produtivas e equipamentos sociais.

II - implantação, anterior à remoção, de programas sócio-econômicos que permitam às populações atingidas restabelecerem seu sistema produtivo garantindo sua qualidade de vida.

Assim, diria eu, é fácil falar em desenvolvimento e gestão integrada do território. Agora, respeitar os direitos e história dos mais pobres, ah, isso nem pensar.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Do Ururau: Visita de Lula ao Açu pode ter ligação com transferência de estaleiro


Carlos Grevi / reprodução


Matéria da Veja deste domingo detalha operação para ajudar Eike Batista
O real motivo da vinda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva juntamente como o empresário Eike Batista, as obras do Superporto do Açu no litoral de São João da Barra, flagrada com exclusividade pela equipe do Site Ururau em 24 de janeiro deste ano, só agora começou a surgir nas mídias, como informa matéria pública na edição da Revista Veja deste domingo (24/03). 

Segundo a publicação, o ex-presidente se comportou como lobista. Graças a ele, Eike conseguiu audiência com a presidente Dilma Rousseff, que prometeu ajudá-lo a encontrar parceiros para o porto. A reportagem revela ainda que dois ministros: Guido Mantega, da Fazenda, e Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, trabalharam para convencer a Jurong Shipyard, uma das grandes companhias de construção naval do mundo, controlada pelo governo de Singapura, a transferir para o Porto do Açu o estaleiro de R$ 500 milhões que está construindo no Espírito Santo. A “manobra” teria desagradado os capixabas, que tiveram conhecimento do assunto há duas semanas. 




O PLANO SEGUNDO A VEJA

No dia 16 de janeiro a presidenta Dilma Rousseff recebeu Eike para conversar e prometeu ajudá-lo. Na primeira semana de fevereiro foi a vez de Guido Mantega, que além de ministro da Fazenda é presidente do Conselho Administrativo da Petrobras, entrar em cena e encontrar-se com executivos das Jurong Shipyard, em Brasília, sugerindo uma união entre os estaleiros para evitar ociosidade e desta forma a associação ao grupo OSX, transferindo o estaleiro para o Rio. Sobre o assunto, Guido disse a Veja que houve o encontro, mas para cobrar agilidade na construção do estaleiro no ES. 






Ainda segundo a Veja, naquela mesma semana o ministro Fernando Pimentel agia em outra frente, fazendo contato com o embaixador do Brasil em Singapura, Luiz Fernando Serra, pedindo para que ele marcasse encontro com o alto escalão da Junrog. Até então a tentativa de aproximação do presidente da OSX, Carlos Belliot, com o Chief Executive Officer (CEO) da Jurong no Brasil, Martins Cheah, teria fracassado, mas rendeu um encontro de Pimentel com os singapurianos em Brasília e uma visita ao Superporto do Açu, em 13 e 18 de março, respectivamente. 

A matéria trás ainda a informação de que o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), já sabia de que o diretor do grupo EBX, Amaury Pires Neto, estava trabalhando pela transferência do investimento. O governador foi ao ministério cobrar explicações de Pimentel, mas o mesmo disse que se tratava “ampliação de investimentos do país” e sustentou que seu nome fora usado indevidamente pelo embaixador.




REAÇÃO DOS CAPIXABAS

Irritados, parlamentares capixabas foram à tribuna do Senado e da Câmara na semana passada para reclamar da pressão do governo em favor de Eike Batista. O embaixador brasileiro em Singapura, Luís Fernando Serra foi acusado pelo senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) de fazer lobby para Eike e solicitando a presença do embaixador para explicar as notícias veiculadas pela imprensa sobre sua atuação na transferência do estaleiro Jurong do Estado do Espírito Santo para o Porto do Açu, em São João da Barra.

Serra deverá comparecer à Comissão de Relações Exteriores do Senado para esclarecer a sua participação no episódio do estaleiro Jurong. A comissão aprovou na quinta-feira (21/03) o requerimento do senador Ricardo Ferraço solicitando a presença do embaixador. A data do depoimento de Serra à comissão ainda não foi definida. Segundo a assessoria do senador Ferraço, o Itamaraty foi comunicado oficialmente da decisão da comissão.

Diante da repercussão do caso, a Jurong divulgou nota garantindo que não sairá do Espírito Santo.


REPERCUSSÃO VISITA


A visita do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva as obras do Superporto do Açu foi repercutida pelos principais sites de notícias e blog do país. Porém, na ocasião, a assessoria de imprensa da LLX disse, por meio de nota, revelou apenas se tratar de um convite feito por Eike a Lula em 2007, quando ainda era presidente, mas que só agora pode ser concretizado. 

A comitiva desembarcou por volta das 10h30, em um avião particular no aeroporto Bartolomeu Lisandro e seguiu de helicóptero para o complexo portuário. Às 13h50, a aeronave retornou ao aeroporto, trazendo a comitiva, que imediatamente embarcou no avião em que chegaram. Essa foi a primeira vez que o ex-presidente visitou as obras do porto. 



FONTE: http://www.ururau.com.br/cidades29231_Visita-de-Lula-ao-A%C3%A7u-pode-ter-liga%C3%A7%C3%A3o-com-transfer%C3%AAncia-de-estaleiro-#.UU-MaHjgWh8.facebook

Blog do Pedlowski: Eike Batista, o megalômano, compara o Porto do Açu ao de Roterdã


Abaixo segue matéria publicada hoje pelo Jornal Valor Econômico que trata de uma ofensiva de Eike Batista via o Twitter. As postagens mostram que as perdas bilionárias em sua fortuna não domaram o aspecto megalomaníaco de Eike, que chega a classificar o problemático porto que está construindo no Açu como a "Roterdã dos trópicos". Eu fico só imaginando o que teria acontecido em Roterdã se um décimo das violações sociais e ambientais que estão acontecendo no V Distrito de São João da Barra tivessem acontecido por lá.

Mas as primeiras indicações da BOVESPA nesta segunda-feira mostram que Eike Batista vai precisar bem mais do que postagens megalomaníacas no Twitter para se safar da barafunda onde as empresas da franquia "X" estão enfiadas neste momento.

E, por último, Eike pode ser megalomaníaco, mas não é trouxa. Continua negando que teve reuniões com o (des) governador Sérgio Cabral e com ex-presidente Lula na tentativa de tirar do Espírito Santo o estaleiro que a empresa singaporiana Jurong está construindo em Aracruz. É que estando com o filme tão queimado na praça seria quase suicídio admitir uma ação tão feia.



Eike reage e classifica porto do Açu como ‘Roterdã dos Trópicos’

Por Renato Rostás | Valor

SÃO PAULO - O empresário Eike Batista reagiu no microblog Twitter às críticas sobre seus projetos, citando uma matéria publicada pela revista “Veja” que fala sobre seus investimentos no porto do Açu. Para ele, receber recursos do Estado é necessário por conta do tamanho de seus projetos e do grau de interesse nacional que eles possuem.

“Hoje temos quase 8 mil brasileiros construindo o porto do Açu! Vai se tornar a Roterdã dos Trópicos”, disse o dono do grupo EBX no site. Ele aproveitou, também, para negar que tenha se reunido com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, como diz a publicação.

Também pelo Twitter o empresário aproveitou para publicar uma série de mensagens otimistas sobre suas empresas e seus projetos. Várias delas falavam de como “os brasileiros não conseguem ver o potencial do próprio país”. “O porto do Açu é único em seu conceito no mundo”, disse Eike.

Nos últimos dias, o Twitter do empresário foi destinado a explicar parte dos empreendimentos que suas grandes empresas — LLX, de logística, MMX, de mineração, e OGX, de petróleo — realizam no Brasil atualmente. As manifestações vêm depois de um mau humor tomar conta do mercado e derrubar o preço das ações das companhias, principalmente por conta das decepções sobre o nível de produção da OGX.

Também no fim de semana, André Esteves, presidente do banco BTG Pactual, disse, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, que a participação de Eike em suas empresas provavelmente caíra. Atualmente, ele detém entre 60% e 70% das companhias que criou, mas “o natural” seria “ter participações menores, de 20% a 30%”, estimou o banqueiro.

No pregão de hoje da BM&FBovespa, os papéis da LLX, protagonista dos “tweets” de Eike no fim de semana, subiam 4,7% por volta das 10h45, cotadas a R$ 2,01, na maior alta do Ibovespa. Já a OGX caía 1,3% na bolsa, com as ações negociadas a R$ 2,24, e a MMX registrava avanço de 0,4%, para R$ 2,44.

LLX lança blog corporativo sobre o Porto do Açu, mas o original é o nosso!


A equipe aqui do blog não sabe se fica lisonjeada ou desconfiada ao ter notícias de que a LLX lançou um blog institucional para difundir a sua versão dos fatos que estão marcando a construção do Porto do Açu. É que apesar de termos andado um tanto lentos em nossas atualizações, o Porto do Açu, o X da questão chegou primeiro!

E os nossos leitores podem ficar certos. Aqui vamos sempre oferecer informações e fatos que não são fruto da tentativa corporativa de passar uma imagem que não corresponde minimamente à complexidade dos impactos que estão ocorrendo no V Distrito de São João da Barra.

Entre estes impactos estão o processo de salinização, a remoção da vegetação de restinga, e a expulsão de centenas de famílias de agricultores e pescadores de terras que ocupavam há gerações.

Mas tudo bem, podemos não ter jornalistas contratados só para ficar oferecendo uma versão rósea da situação no Porto do Açu. Mas o que nos falta em termos de recursos corporativos, nos sobra em termos de disposição de oferecer uma fotografia mais nítida e autônoma dos fatos.

sábado, 23 de março de 2013

Veja: Lula fez lobby para ajudar Eike Batista - e quase deu certo


Estaleiro Jurong Aracruz, pertencente ao grupo Sembcorp Marine

Eu não sei o que me deixa mais passado, se a mensagem ou o mensageiro. No caso em questão, a Revista Veja dá detalhes de algo que já estava circulando em outros veículos de imprensa, qual seja, a tentativa de membros do governo Dilma de beneficiar o empresário Eike Batista e seu polêmico mega-empreendimento no Açu.

Os neopetistas logo vão tentar atacar o mensageiro (a Revista Veja) para não ter que discutir algo vexaminoso que é a atuação do ex-presidente Lula como uma espécie de lobista de luxo de Eike Batista. Mas os detalhes que são narrados nesta porção da matéria assinada por Malu Gaspar e Daniel Pereira não deixam dúvidas da extensão das tentativas que ocorreram para beneficiar Eike Batista não apenas por Lula, mas também Dilma Rousseff, Guido Mantega e Fernando Pimentel.

Esse tipo de imbróglio é de envergonhar apenas aos militantes sinceros que o PT ainda possui em suas fileiras, mas a pessoas que, como eu, ajudaram a construir o partido lá pelos distantes anos de 1981 e 1982. Eu sinceramente nunca imaginaria que a deformação ideológica de Lula e da alta burocracia partidária chegasse a esse nível, mas parece que chegou.

De quebra, há um elemento de ligação entre Lula e dois ministros com o que está ocorrendo aqui mesmo no Rio de Janeiro, onde o (des) governo de Sérgio Cabral passou para o PT, através de uma secretaria totalmente esvaziada de recursos e de poder político, a deplorável tarefa de invadir de forma truculenta a agora extinta Aldeia Maracanã. E aqui também o elo de ligação é Eike Batista que é tido como virtual de uma licitação que sequer aconteceu.

Pois é, de tanto se misturar com os morcegos, os petistas,tendo Lula à frente, estão dormindo de cabeça para baixo.


A presidente Dilma e dois de seus ministros tentaram ajudar o empresário a tirar do Espírito Santo um investimento estrangeiro de 500 milhões de reais e transferi-lo ao Porto do Açu. Só faltou combinar com os capixabas

Malu Gaspar e Daniel Pereira
PARECIA PROMISSOR - Eike, Lula e o lobista Pires Neto deixam o Açu no jato do empresário: ali, eles selaram o plano para tomar das mãos dos capixabas o estaleiro Jurong (Carlos Grevi/ Agência Ururau/ Agência O Globo)

A foto acima, tirada em 24 de janeiro, mostra o ex-presidente Lula logo depois de uma visita às obras do Porto de Açu, empreendimento de Eike Batista no litoral norte fluminense. Era o ato final de um encontro de negócios para lá de promissor. Reportagem publicada em VEJA desta semana detalha a operação desencadeada por Lula para ajudar o amigo empresário a desatolar os investimentos no Açu. O ex-presidente se comportou como lobista. Graças a ele, Eike conseguiu audiência com a presidente Dilma Rousseff, que prometeu ajudá-lo a encontrar parceiros para o porto. Ele ainda viu dois ministros se engajarem pessoalmente em sua causa (acionando, inclusive, a estrutura do Itamaraty). Guido Mantega, da Fazenda, e Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, trabalharam para convencer a Jurong Shipyard, uma das grandes companhias de construção naval do mundo, controlada pelo governo de Singapura, a transferir para o Porto do Açu o estaleiro de 500 milhões de reais que está construindo no Espírito Santo. Só faltou combinar com os capixabas, que não gostaram nada da ideia de ficar a ver navios.


FONTES: http://pedlowski.blogspot.com.br/2013/03/veja-lula-fez-lobby-para-ajudar-eike.html e http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/lula-fez-lobby-para-ajudar-eike-batista-e-quase-deu-certo

Prof. Carlos Rezende esclarece situação das pesquisas sobre a salinização causada pelas obras do Porto do Açu

A entrevista abaixo veio do blog do Prof. Marcos Pedlowski e traz esclarecimentos importantes sobre o processo de salinização que foi causado pelas obras do Porto do Açu.


Novamente o Blog do Pedlowski procurou o Prof. Carlos E Rezende, Chefe do Laboratório de Ciências Ambientais do Centro de Biociências e Biotecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense, para obter informações sobre os problemas decorrentes da salinização na região do entorno do Complexo Industrial do Açu.

É sempre bom lembrar que o Laboratório de Ciências Ambientais vem trabalhando há muitos anos na região no que tange aos recursos hídricos e estas pesquisas tem sido traduzidas em várias monografias, dissertações e teses, assim como artigos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais arbitradas.


Blog do Pedlowski (BP): Este ano a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e o Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) estão comemorando 20 anos e você está na UENF desde a sua concepção inicial, correto?

CER: Na realidade eu e algumas pessoas do LCA estamos neste projeto desde o início e viemos para cá por opção e não por falta de outras oportunidades. Quando estava terminando meu doutorado, retornando da Escola de Oceanografia na Universidade Washington em Seattle - Estado de Washington, meu orientador, Prof. Wolfgang Christian Pfeiffer, meu orientador, me chamou para uma conversa. Nesta conversa ele me apresentou a oportunidade de participar deste grande projeto idealizado por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola. Desde o primeiro momento o Prof. Wolfgang me deu total liberdade para convidar pessoas e estruturar o que seria o embrião do LCA. Esta foi uma importante experiência na minha vida e hoje, depois de 20 anos em Campos dos Goytacazes tenho a certeza de que foi a decisão correta, pois participar da criação e fundação de uma universidade é um privilégio para poucas pessoas e posso dizer que tive esta oportunidade e tenho a sensação de missão cumprida.


BP: Bom, vindo para atualidade como estão indo as pesquisas?

CER: Nosso laboratório tem realizado muitos estudos relevantes para região, mas infelizmente pouquíssimos foram transformados em políticas públicas. Você e outros docentes e alunos da UENF, participaram do Diagnóstico da Lagoa de Cima e havia uma forte expectativa de que este trabalho se transformasse em um Plano de Manejo para a região da bacia e da lagoa propriamente dita. Na ocasião políticos se manifestaram, mas até hoje não temos absolutamente nada e continuamos presenciando uma ocupação desordenada naquela região. Ainda sobre nossas pesquisas também criamos um Blog (http://lcanoticias.blogspot.com.br/) onde divulgamos algumas ações. Certamente, ele não é tão visitado quanto o seu blog, mas estamos trabalhando para que no futuro tenhamos mais seguidores e possamos disponibilizar o que temos realizado através dos docentes e discentes do nosso laboratório.


BP: Gostaria de retomar ao problema da salinização na região do 5o Distrito. O que o LCA está fazendo neste momento em termos de prosseguimento das pesquisas sobre o processo de salinização?

CER: No momento estamos espacializando os valores que medimos desde outubro de 2012. Esta forma de visualização das informações é muito importante, pois ajuda a dimensionar as áreas com maior tendência deposicional da água salgada assim como estabelecer os caminhos preferenciais do escoamento superficial proveniente do aterro hidráulico. 

BP: Vocês continuam medindo a condutividade elétrica das águas no V Distrito?

CER: Sim continuamos as medidas em vários locais. A Dra. Marina Suzuki continua acompanhando sistematicamente a distribuição espacial da salinidade na Lagoa do Açu, e recentemente ela e o Dr. Alvaro Ramon Coelho Ovalle, juntamente com o Biólogo Bráulio Cherene mediram a condutividade ao longo do Canal do Quitingute.

BP: Soubemos que o senhor e a Dra. Maria da Gloria foram convidados a compor um Grupo Técnico junto ao INEA?

CER: Sim, no dia 15 de março tivemos uma reunião na Reitoria com a presença da Presidente do INEA, Sra. Marilene Ramos, o Superintendente Local, Sr. Renê Justen, e mais 2 membros da Diretoria do INEA, Sra. Rosa Formiga (Diretora de Gestão das Águas e do Território) e Sr. Leonardo Daemon d'Oliveira Silva (Assessor da Diretoria de Gestão das Águas e Territórios). A reunião pode ser considerada produtiva, mas tivemos a presença de muitas pessoas a convite do Reitor. No final da reunião continuamos a conversa com a Diretora Rosa Formiga e seu assessor onde foi possível delinearmos algumas ações.



BP: O senhor poderia adiantar algumas destas ações?

CER: Bom, eu gostaria muito, mas ainda não acertamos as atividades que iremos realizar junto ao INEA, e recentemente, soube que algumas pessoas de instituições locais andaram pela região realizando amostragem que havíamos preconizado anteriormente em algumas reuniões. Inclusive, na ocasião disponibilizei a metodologia para a empresa e até hoje não tivemos a autorização para realizarmos a amostragem. Enfim, hoje pretendo realizar nossas atividades junto ao INEA e aos pequenos proprietários rurais da região, de forma que possamos contribuir de uma forma efetiva para avaliar com cuidado as áreas que foram impactadas pelo escoamento da água salgada.

BP: O senhor tem alguma notícia sobre o que a empresa tem desenvolvido depois da multa emitida pelo INEA?

CER: Não tenho certeza, mas acho que já comentei que a empresa contratou pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de outras instituições locais (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) que aparentemente prestam algum tipo de serviço para eles. Recentemente, soube que alguma destas instituições informou que não existe usuário das águas do Canal do Quitingute. Pois bem, eu realmente não tenho como confirmar esta informação, mas considero que isto não sirva como um atenuante ou justificativa para o enorme impacto gerado em um ecossistema de água doce. E mais, se haviam riscos associados a comunidade local, todos deveriam ter sido devidamente avisados e tomarem conhecimento do plano de contingência. O que não dá para aceitar facilmente é a atuação de profissionais tentando autenticar o ilegitimável diante de tantas evidências das alterações promovidas nas águas superficiais da região.


BP: O senhor estava dizendo que ficou surpreso com um texto publicado em um Blog local. Poderia ser mais claro sobre o que isto significa?


CER: Sim, na realidade uma pessoa faz comentários sem fundamentos que tentam desqualificar nosso trabalho após a visita da Reitoria da UENF às obras do Porto do Açu. Eu não faço parte da gestão da Reitoria da UENF e não realizamos qualquer trabalho visando forçar algum tipo de apoio financeiro. A minha carreira universitária foi construída com muita dedicação e este tipo de postura por parte de algumas pessoas é lamentável, e pior se esconde atrás de um anonimato. Tentei postar por duas vezes comentários no Blog em questão, mas até hoje não apareceram. Depois dessa falta de retorno do blogueiro eu desisti, pois não tenho tempo disponível. No entanto, vejo claramente que a pessoa que postou este comentário tenta traçar juízo de valor, usando-se como referência ética e moral. Assim, eu não tenho muito que dizer sobre uma pessoa que não tem coragem de assinar seu nome em uma declaração com este tipo de afirmativa. Contudo, eu acho que cabe a Reitoria da UENF se pronunciar institucionalmente . Abaixo, eu listo o texto que foi disponibilizado na página.

"Hoje to lendo entre linhas e acreditando que toda aquela situação da salinização do 5o Distrito nada mais foi que uma tentativa em forçar o grupo a se aproximar da UENF. Daqui a pouco certamente começará aparecer vários convênios com a instituição (um cala boca)" Texto retirado do Blog Roberto Moraes (http://www.robertomoraes.com.br/2013/03/reitor-e-equipe-de-gestao-da-uenf.html) escrito por um "Anônimo" (Grifo do entrevistado)


quarta-feira, 20 de março de 2013

Porto de Eike Batista causou salinização da água e do solo, aponta estudo

De acordo com a pesquisa, no município de São João da Barra (RJ) tem se verificado perda de lavouras e áreas queimadas de pasto

da Redação 

As obras de construção do porto do Açu, da empresa LLX, do empresário Eike Batista, causaram a salinização da água doce distribuída para o consumo e irrigação de lavouras no município de São João da Barra (RJ). O estudo foi realizado pelo Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), entre outubro e dezembro do ano passado. 

A Associação de Geógrafos Brasileiros, que acompanha o processo na região desde 2011, constatou, há um mês, o avanço da salinização também nas terras do Açu. O grupo se deparou com depósitos de sal no solo, o que indica ser o início de um processo de desertificação. 

Este avanço da salinização das águas e do solo, segundo a associação, decorre das obras do estaleiro que está sendo construído no Complexo Industrial e Portuário do Açu. De acordo com os geógrafos, um canal de 13 km de extensão e com profundidade entre 10,5 e 14,5 metros está sendo escavado, promovendo a penetração de água do mar nos lençóis freáticos e nos solos da região. 

A água fornecida aos moradores da região apresenta salinidade entre cinco e sete vezes superior à do rio Paraíba do Sul. Já a água encontrada em área de pasto, na comunidade de Água Preta, possui salinidade semelhante à do mar: 820 vezes maior que a de água doce. Esta água é drenada para o canal Quitingute, utilizada para a irrigação de áreas agricultáveis da Baixada Campista. 

De acordo com os geógrafos, na região tem se verificado perda de lavouras e áreas queimadas de pasto sem razões aparentes. O governo do estado, por meio do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), e a própria OSX Brasil já reconheceram a existência deste processo. 

Diante desse panorama, a Associação de Geógrafos Brasileiros pede a suspensão das obras do Porto do Açu. Solicita ainda que sejam realizados estudos de impacto ambiental mais isentos e aprofundados no qual que seja considerado o conjunto dos impactos que podem decorrer da instalação do porto e do complexo industrial previstos para a região.

Foto: Reprodução do Blog de Dacio Malta

O terminal do TX-2 no Complexo do Açu

Entre as centenas de fotos aéreas e vídeos feitas pelo blog, no sobrevoo de helicóptero, na última 4ª feira (13-03), nós seguiremos, como combinado, paulatinamente, postando algumas delas aqui neste espaço, para conhecimento e debate dos leitores e colaboradores:

Entrada do Canal TX-2 do Porto do Açu a partir do mar - Dragagem sendo feita para aumentar calado

Vista mais próxima do trabalho que a draga está fazendo retirando areia e sedimentos para a entrada da água do mar.

Esta areia e sedimentos misturada à agua do mar está sendo usada para aterrar área do porto e do Distrito Industrial

Vista área do canal TX-2 em sua entrada para o cesso ao estaleiro (lado esquerdo). Do lado direito tem-se a área que a LLX está alugando para instalação das empresas de apoio off-shore. Parte destas áreas pertenciam a cerca de dez loteamentos cujos terrenos foram desapropriados. Observem a área aterrada.

Vista do Canal do TX-2 (Terminal Onshore) olhando do continente para o mar. A largura de entrada do canal em que foi seccionado o continente na beira-mar é de 300 metros e seu comprimento depois da entrada no continente tem 3 km.

Dissertação defendida na UENF analisa impactos do Complexo do Açu nos pescadores artesanais marinhos do Farol de São Thomé



Na manhã dessa 4a. feira tive a honra de participar da banca examinadora de uma dissertação de mestrado do Programa de Políticas Sociais da UENF de autoria do mestrando John Marr Ditty sob orientação do Prof.Carlos Eduardo Rezende do Laboratório de Ciências Ambientais da UENF. Em um estudo bastante interessante, John Ditty estudou a comunidade de pescadores artesanais marinhos do Farol de São Thomé e os impactos percebidos e esperados que eles terão com a implantação do Complexo Industrial-Portuário do Açu.

Uma das questões mais prementes que o trabalho aborda se refere às mudanças começam a ser percebidas em questões triviais para a atividade pesqueira da região, o que deverá ser agravado com a entrada em funcionamento das unidades que ali funcionarão.

De quebra, a banca formada por Carlos Eduardo Rezende, Ana Paula Madeira Di Beneditto e Arthur Soffiati e eu mesmo aprovou a dissertação. Agora virá a fase de publicação dos artigos que deverão ser produzidos para dar base científica às futuras discussões sobre os reais impactos do Complexo Industrial-Portuário do Açu sobre as comunidades que tradicionalmente viviam e trabalhavam em seu entorno.

terça-feira, 19 de março de 2013

Blog do Pedlowski informa: Uma boa notícia para Eike: INEA concede mais uma licença fast food para o Açu



Eike Batista pode estar em apuros com seus credores, mas não pode reclamar do INEA e sua disposição de emitir licenças "Fast Food". Agora a LL(X) foi premiada com a licença prévia e de instalação (esse deve ser mais um recorde de velocidade na emissão de licenças!) para a construção de um terminal de gás natural liquefeito no Porto do Açu.


Quem conhece a luta dos pescadores da Baía da Guanabara contra a Petrobras sabe que um dos motivos para os conflitos é justamente um terminal gigante que a ainda estatal construiu próximo da Ilha do Governador, e que trouxe graves dificuldades para a circulação das centenas de pescadores artesanais que ali tentavam sobreviver da pesca. Com a construção desse terminal no Porto do Açu, dificuldades semelhantes deverão ocorrer para os pescadores de Atafona e do Farol de São Tomé. O aumento do fluxo de navios certamente aumentará o risco de abalroamento e perda de material de pesca para os pescadores, fato
que pode ser muito prejudicial aos pescadores que ainda conseguem atuar na região do Porto do Açu.



Aliás, esses mesmos pescadores já vivem dificuldades para continuar pescando mesmo antes do início do funcionamento do porto. Imagina quando o porto e esse terminal começarem a funcionar. Ai é que o preço do peroá vai disparar nas areias de Grussai!


Mas nada disso impediu a emissão de duas das três licenças que qualquer empreendimento precisa para operar. A terceira deverá depender da capacidade de Eike Batista manter o empreendimento acima do nível do mar das finanças em dificuldades. Simples assim.

LLX recebe licença prévia para terminal de GNL no Açu


RIO DE JANEIRO (Reuters) - A LLX anunciou nesta terça-feira que o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) do Rio de Janeiro concedeu licença prévia e de instalação para a construção de um terminal de gás natural liquefeito (GNL) no porto do Açu.

Segundo a companhia do grupo EBX, do empresário Eike Batista, o terminal de GNL permitirá a instalação de um parque termelétrico no porto, garantindo "suprimento de energia para todas as empresas que pretendem se instalar no complexo industrial".

O terminal de GNL terá capacidade para 10 milhões de metros cúbicos por dia e poderá atender à unidade termelétrica da MPX que será construída no porto e às outras empresas que se instalarem no complexo, segundo a LLX.

"O novo terminal de gás poderá atrair diversos tipos de indústrias que utilizam este insumo como fonte de energia", declarou o diretor-presidente da LLX, Marcus Berto, em comunicado.


(Por Diogo Ferreira Gomes)

Dívidas bilionárias pressionam e obrigam Eike Batista a vender fatia da MPX




A matéria abaixo, produzida pela Bloomberg e repercutida pelo Valor Econômico, demonstra, mais uma vez, a situação difícil em que se encontra o empresário Eike Batista que acumulou empréstimos bilionários como pessoa física para turbinar os seus negócios, dando ações das empresas da franquia "X" como garantia.

O elemento mais crítico dessa situação é o acúmulo de uma dívida de R$ 15,8 bilhões num momento em que o valor das ações das empresas "X" vem uma constante descendente.

Um outro aspecto que a matéria esclarece é sobre a razão da desconfiança dos operadores do mercado em relação às empresas "X". Até agora o principal motivo apontado era a performance abaixo do prometido por Eike em suas midiáticas aparições com ou sem as famosas apresentações de Powerpoint. O aspecto que agora é explicitado é exatamente a questão da capacidade ou não de Eike de honrar suas dívidas com o Itaú Unibanco, Bradesco e o BTG Pactual. Qualquer um que já teve de pagar dificuldades empréstimos bancários sabe a pressão que Eike Batista deve estar sofrendo neste momento. Afinal suas dívidas não são como os consignados que os bancos oferecem a pessoas mortais que não conseguem sobreviver com seus parcos salários de servidores públicos, por exemplo.

Agora, o risco que todos corremos é que vendo Eike Batista em tamanha dificuldade, o BNDES e os fundos de pensão estatais sejam utilizado para ampliar a operação "vamos salvar Eike". 

Em suma, hoje pode ser a MP(X), amanhã sabe-se lá qual "X" será.


Eike pode vender fatia na MPX para elevar garantias de empréstimos

O empresário Eike Batista está perto de vender uma fatia na MPX Energia, pois enfrenta a demanda de credores para elevar a garantia, afirmam pessoas com conhecimento direto sobre o assunto.

Entre os maiores credores de Batista estão o Itaú Unibanco Holding, com cerca de R$ 5,5 bilhões (US$ 2,8 bilhões) em empréstimos, disseram duas fontes, que pediram para não ser identificadas porque o assunto é particular. Batista também tomou empréstimos de R$ 4,8 bilhões do Banco Bradesco e R$ 1,6 bilhão do Grupo BTG Pactual, sem contar uma linha de crédito de US$ 1 bilhão que o BTG concedeu neste mês, afirmam as pessoas. 


Batista, de 56 anos, usou ações das companhias abertas como garantia para empréstimos que ajudaram a construir seu império de commodities e negócios de petróleo, disseram as fontes. As ações da petrolífera OGX caíram 8% em 2012, e Batista tenta reduzir os requerimentos de garantia ao vender ativos para pagar a dívida, segundo pessoas próximas ao assunto.

“Uma grande parte da desconfiança dos investidores advém do fato que Eike pode ser forçado a cobrir as dívidas do grupo”, disse Leonardo Brito, analista do fundo de risco Teórica Investimentos, em entrevista por telefone. “As dúvidas sobre o grupo continuam.”

Prejuízo

A dívida líquida das seis empresas de capital aberto de Batista mais que triplicou em 2012, para R$ 15,8 bilhões combinados, segundo dados da Bloomberg. As companhias registraram um prejuízo de R$ 1,68 bilhão nos primeiros nove meses de 2012, diante da incapacidade de atingir metas e do aumento de custos.

“Projetos de infraestrutura, tais como estão sendo desenvolvidos pelo grupo, são de capital intensivo e exigem, necessariamente, um financiamento de longo prazo”, disse a EBX em nota enviada por e-mail. 

O corte de projeções para o negócio de petróleo de Batista em junho levou à queda de preço das ações das companhias de capital aberto. Com a baixa do valor dos papéis, também diminuiu o valor das garantias. Os bancos pedem mais garantias para manter a exposição às holdings de Batista sob os níveis de tolerância de risco, disseram as pessoas, acrescentando que alguns dos bancos também são obrigados a vender as ações que possuem, contribuindo para as desvalorizações.

(Bloomberg)


segunda-feira, 18 de março de 2013

Grupo de Trabalho de Assuntos Agrários da AGB/RJ lança documento sobre salinização no Açu

O Grupo de Trabalho de Assuntos Agrários da Associação de Geógrafos Brasileiros, seções Niterói e Rio de Janeiro, que já deu uma importante contribuição ao debate em torno da construção do Complexo Industrial-Portuário do Açu (CIPA) ao produzir um relatório técnico que deu sustentação à várias ações judiciais que tramitam no âmbito do Ministério Público Federal (Baixe Aqui!), acaba de dar outra importante contribuição ao debate.

Agora, o Grupo de Trabalho de Assuntos Agrários acaba de produzir um documento que aborda a questão da salinização das águas e dos solos no Açu, muito provavelmente por causa das obras de construção do CIPA. Veja o documento completo abaixo.




domingo, 17 de março de 2013

Porto do Açu: o mar e o sal

Após meses de negativas pelo Grupo EBX e pela Prefeitura Municipal de São João da Barra, a aceitação tácita pelo governo do Rio de Janeiro de que existe um processo de salinização associado à implantação do Porto do Açu é apenas o primeiro passo de uma série de revezes que deverão ocorrer por conta dos desrespeitos que estão sendo cometidos em nome do "desenvolvimento".

O vídeo abaixo foi feito pelo Grupo de Apoio Técnico Especializado (GATE) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para subsidiar atuação da do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA) no caso do processo de salinização das águas e terras do V Distrito de São João da Barra, e que hoje se sabe foi causado pela instalação do Complexo Industrial São João da Barra (Açu) no Norte Fluminense.

Assista e divulgue para apoiar a luta das centenas de famílias pobres que ainda resistem e esperam a justa reparação pelos danos que estão recebendo.

video

sábado, 16 de março de 2013

Inea faz parceria com a Uenf para ampliar diagnóstico da salinização do solo e águas no Açu

A reunião da reitoria da Uenf aconteceu na manhã desta sexta-feira. Veja abaixo informação produzida pela Ascom da Uenf. A presidente do Inea, Marilene Ramos garantiu ainda a participação de representante da Asprim (Associação dos Produtores Rurais, Imobiliários e Moradores do Açu), assim como a definição de indenizações por conta das perdas sofridas pelos produtores rurais daquela região. O prazo para a Comissão apresentar seu relatório é de 60 (sessenta) dias: 

"Grupo de trabalho deverá fazer diagnóstico das áreas afetadas pela salinização na região do Açu"

"A UENF e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) acertaram parceria, na manhã desta sexta-feira, 15/03, para a avaliação dos impactos ambientais de grandes empreendimentos na região, como é o caso do Porto do Açu. De imediato, será formado um grupo de trabalho com pesquisadores da Universidade para fazer um diagnóstico das áreas afetadas pela salinização da água e do solo em São João da Barra.

Reunião na Reitoria acertou cooperação 
(Foto: Alex Azevedo/ASCOM UENF)


A parceria foi acertada em reunião realizada na manhã desta sexta-feira, na UENF, à qual estiveram presentes representantes da Universidade e do Inea. Ficou decidido que o grupo multidisciplinar de trabalho terá à frente os professores Maria da Glória Alves, do Laboratório de Engenharia Civil (LECIV), e Carlos Eduardo de Rezende, do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da UENF.

Pelo Inea, estiveram presentes a presidente Marilene Ramos; a diretora de Gestão das Águas e Territórios, Rosa Formiga; o superintendente regional, René Justen; e o assessor da diretora de Gestão das Águas e Territórios, Leo Daemon. Pela UENF, participaram o reitor Silvério de Paiva Freitas; o pró-reitor de Extensão, Paulo Nagipe; o diretor da Agência UENF de Inovação, Ronaldo Paranhos; o chefe de Gabinete da Reitoria, Manuel Vazquez Vidal Júnior; e os professores Carlos Eduardo de Rezende, Maria da Glória Alves e Paulo Pedrosa, do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA).

O grupo de trabalho deverá realizar uma pesquisa de campo para definir a real extensão do problema da salinização. Além da análise ambiental (solo e água), deverão ser feitas entrevistas com os produtores.

— Precisamos saber quem de fato foi prejudicado, para que estas pessoas possam ser devidamente ressarcidas. Os empreendimentos são bem-vindos, mas não podem causar danos ambientais. Após este estudo, o Inea vai se posicionar a respeito — disse a presidente, lembrando que o Departamento de Recursos Minerais (DRM) também está atuando em parceria com o órgão."

Apoie a campanha nacional contra a desertificação do Açu!


O problema dos negócios de Eike Batista é mais embaixo


A parceria com o BTG Pactual pode ser um socorro para Eike Batista aliviar as finanças de seu grupo. Mas está longe de resolver os problemas das empresas “X” — o maior deles: encontrar petróleo no fundo do mar

Roberta Paduan e Maria Luiza Filgueiras, de


FABIO MOTTA/Agência Estado
Eike Batista: parceria com o banqueiro André Esteves, do BTG, ajuda, mas não resolve


Rio de Janeiro - O empresário Eike Batista costuma repetir que seus negócios são “à prova de idiotas”. Segundo ele, isso significa que suas empresas — ou projetos de empresas — são desenhados para ter retornos tão polpudos que podem aguentar todo tipo de intempérie.

Em junho passado, em meio ao enorme tombo de suas empresas na bolsa, Eike repetiu a frase a EXAME. A notícia de que sua petroleira vertia apenas um quarto do óleo que ele havia prometido para a época era apenas um percalço, disse. Todas as suas empresas estavam suficientemente financiadas e, mais cedo ou mais tarde, fariam as fortunas prometidas aos investidores.

O acordo fechado no começo do mês entre Eike e o banco BTG Pactual, de André Esteves, sinalizou que o empresário subestimou as intempéries que atingiriam seus negócios. Pelos termos do acordo, o BTG concedeu uma linha de crédito de 1 bilhão de dólares a Eike e assinou com ele um acordo de consultoria financeira para as empresas do grupo. A reação imediata do mercado deu a impressão de que a parceria entre bilionários era a salvação para o grupo de Eike, o EBX.

As ações da petroleira OGX, que haviam caído 84% nos 12 meses anteriores, subiram 16% num dia. As da mineradora MMX, 17%. Mas, passada a euforia inicial, foi impossível não constatar que os desafios enfrentados por Eike e suas empresas são grandes demais para ser resolvidos com um acordo dessa natureza. O maior deles: a OGX, carro-chefe do grupo de empresas de Eike, vai ou não encontrar o petróleo prometido a seus acionistas? Esteves, com todas as credenciais para o posto de Midas do momento, não pode ajudar a responder.

Os episódios que sucederam a parceria mostram a real profundidade dos problemas. Três dias após o anúncio do acordo, as ações da petroleira de Eike caíram 15% com a divulgação de seus resultados de produção, apresentados à Agência Nacional de Petróleo. A produção do terceiro poço da OGX veio abaixo do previsto — pior, ao entrar em operação, diminuiu a vazão dos outros dois. A notícia reforçou a percepção de que Eike exagerou nas promessas do passado.

Em 2010, a OGX anunciou que produziria 20 000 barris de óleo ao dia em 2011 (com um só poço). Dois anos depois, a empresa não consegue extrair 12 000 barris diá­rios, e com três poços em operação. Diante disso, são compreensíveis as dúvidas quanto aos planos grandiosos para o futuro.

Enquanto a produção prevista pela empresa é de 730 000 barris ao dia em 2015, os especialistas de petróleo da corretora Planner preveem 140 000 barris, e só em 2016. O banco de investimentos Bank of America Merrill Lynch cortou seu preço-alvo para as ações da OGX para 1 real. No mesmo dia, as ações custavam 2,6 reais. Um ano atrás, valiam 16,7 reais.
“Meia Petrobras”

A supervalorização de ativos em sua fase inicial é uma característica congênita dos empreendimentos de Eike. A característica foi fundamental na sedução de investidores que injetaram 26 bilhões de dólares nas empresas do grupo desde 2005. Eike já declarou que faria “meia Petrobras” em dez anos.

Está longe disso, e olha que a Petrobras não foi um exemplo de sucesso de lá para cá. As minas vendidas por Eike à mineradora Anglo American por 5,5 bilhões de dólares em 2008 produzem muito menos minério do que o previsto na época da operação. A empresa já assumiu um prejuízo no balanço de 4 bilhões de dólares com a compra no balanço. E por aí vai.

Enquanto fala em organizar o Rock in Rio, operar um hotel de luxo na cidade, administrar a carreira de jogadores de futebol e arrendar o Maracanã, Eike tem empresas de capital aberto que faturam em milhões e acumulam dívidas de bilhões. A dívida das companhias abertas soma mais de 16 bilhões de reais.

Em caixa elas têm 8,3 bilhões (excluindo a holding, de capital fechado). Boa parte dessa dívida tem custo alto, além de ser de curto prazo. É fato que as empresas estão em estágio pré-operacional e algumas ainda em construção, como dois portos e um estaleiro. O problema é que o atraso de obras também afeta diretamente o resultado dos negócios. A geradora de energia MPX, por exemplo, tem receita garantida por contratos de fornecimento de energia por 15 e 20 anos.

Para isso, precisa construir as usinas e colocá-las em funcionamento na data certa. Caso contrário, terá de comprar energia de terceiros para entregar ao governo. Em 2012, a empresa perdeu 190 milhões de reais pelo atraso de duas­ térmicas. Neste ano, não fosse o perdão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), perderia mais 400 milhões nos primeiros cinco meses. Três usinas que deveriam entrar em operação em janeiro ainda estão em obras.

Como se sabe, em time que está perdendo, o estresse aumenta e as baixas também. Das seis empresas de capital aberto, apenas a MPX não trocou de presidente nos últimos 12 meses. Eike perdeu pelo menos 20 executivos-chave, que, antes, ele vendia como âncoras de credibilidade de seus projetos. A MMX perdeu dois presidentes.

Na diretoria financeira da holding EBX, que tem o papel de dar suporte às finanças do grupo, ninguém esquenta a cadeira. Em um ano e meio, três executivos passaram por lá. O alerta máximo foi dado pela passagem-relâmpago do empresário Eduardo Eugenio Gouvêa pela EBX. Contratado em 21 de janeiro deste ano, deixou o grupo no dia do anúncio do acordo com o BTG.

A esperança dos investidores é que a entrada de Esteves dê ao grupo de Eike certa estabilidade. O banqueiro vai participar de um comitê estratégico que se reunirá semanalmente para discutir os rumos das empresas de Eike. “O BTG Pactual não participará da gestão de nenhuma empresa do grupo EBX. Nosso papel será assessorar e atuar em conjunto com o controlador”, escreveu a EXAME a assessoria do BTG.

Procurado, Eike não quis conceder entrevista. A partir de agora, o BTG é uma das partes interessadas na recuperação do grupo EBX. O banco é o terceiro maior credor de Eike, com 1,8 bilhão de dólares. A remuneração pela consultoria financeira será atrelada à variação das ações das empresas do grupo. O banco também abriu uma linha de crédito de até 1 bilhão de dólares, preferencialmente para aportes em projetos específicos.

Cada caso será avaliado, sem obrigatoriedade do financiamento. Ou seja, não há compromissos com valores firmados. O BTG ainda pode investir capital próprio, em vez de emprestar, quando considerar que o projeto justifica o risco. Nesse ponto, a parceria pode criar problemas entre a EBX e seus demais credores.

“O BTG é o primeiro na fila do bufê. Pode escolher o que quer financiar, onde investir e o que descartar”, diz um investidor da EBX. Restam poucas dúvidas de que Esteves tem pouco a perder e muito a ganhar com o acordo celebrado em março. Na torcida, Eike Batista e os milhões de investidores que colocaram dinheiro nos seus projetos.

FONTE: http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1037/noticias/o-problema-e-mais-embaixo?page=1